Evitando tratar neste momento das razões da eclosão da revolta popular, é possível afirmar que ela foi organizada tanto por muçulmanos tradicionais, como por personagens com pensamento mais liberal, clamando por uma democracia participativa, bem como por mais emprego, por aumento de renda e melhoras nas condições de vida.
Com a saída de Mubarak, a “Irmandade Muçulmana” assumiu o poder no país, pois foi a vencedora das eleições legislativas e posteriormente ganhou a “Presidência da República”, com a vitória de Muhamad Morsi, alcançada por meio de eleições democráticas. Entretanto, após a vitória, a Irmandade vem tentando impor o estilo de vida islâmico fundamentalista em um país onde nos 60 anos anteriores prevaleceu o pan-arabismo laico, sob a influência das “Forças Armadas” que se mantiveram como uma espécie de poder moderador.
Com sua presença majoritária no legislativo e ocupando a “Presidência da República”, este grupo tecnicamente poderia impor-se de forma plena, mas o resultado foi outro: os mesmos jovens que se engajaram nas revoltas contra Mubarak ao lado da “Irmandade Muçulmana”, apesar de estarem em campos opostos sob o ponto de vista ideológico, sentiram-se traídos pela Irmandade nos fundamentos do movimento do qual participaram, que eram a liberdade e a democracia.
Morsi, que vem sendo apelidado de Faraó, foi contido na tentativa de obter “superpoderes”. A contenção, contudo, não se deu pelos jovens laicos que entraram em choque recentemente com membros da “Irmandade Muçulmana”, mas pelas “Forças Armadas” que, reticentes em relação ao novo estágio político em que se encontra o país (agora com viés democrático), agiram de forma a pressionar o poder e retomaram parte de seu espaço que havia sido perdido com a nova Constituição. Com isso, pretendem que se mude o Governo, mas não se mude o poder que elas detêm, o qual, conforme consideram alguns especialistas, mantém o equilíbrio político e social no país.
Observadores apontam que, neste momento, devemos aguardar os próximos acontecimentos, dentre eles a reação da Irmandade Muçulmana e as respostas das populações jovens de Alexandria e do Cairo para os movimentos que estão realizando as “Forças Armadas do Egito”.
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[1] Da dinastia de Muhamad Ali.
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Fontes consultadas:
Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Egypt
Ver: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/jun/26/egypt-revolution-secured-by-spreading
Ver: http://www.huffingtonpost.com/2011/01/30/egypt-revolution-2011_n_816026.html
Ver: http://www.washingtonpost.com/blogs/guest-voices/post/the-return-of-pharaoh-the-power-grab-by-egypts-mohamed-morsi/2012/11/26/8fa4c48a-37e8-11e2-b01f-5f55b193f58f_blog.html


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