terça-feira, 9 de outubro de 2012

A (re) militarização do Sinai

   Após os “Acordos de Camp David I” (1978) sobre a paz na “Península do Sinai”, Israel retrocedeu suas tropas até a fronteira atual, sendo o Sinai devolvido ao Egito. Contudo, a reentrada do Estado egípcio na Ásia deu-se com restrições de tropas e armas. Somente poucas unidades militares (basicamente com tarefas de polícia e controle de fronteira), porte de armas leves e uso de veículos com pouca blindagem poderiam adentrar na “Área C”, a mais restrita, que foi delineada no “Acordo de Paz de 1978”.
   Já Israel, manteve o direito de concentrar unidades na fronteira, incluindo Gaza, onde se encontra o principal ponto de passagem de quem se desloca de Israel (incluindo Cisjordânia) ou Gaza, que é Rafla. Ali, há uma grande rodoviária com entreposto aduaneiro, onde as pessoas trocam de ônibus no outro lado da fronteira, sejam turistas, palestinos ou beduínos com galinhas e carneiros para comerciar no outro lado.
   Com o aparecimento das atividades terroristas* decorrentes do vácuo de poder deixado pela transição de governo egípcio, está sendo necessário o incremento de efetivos militares** na região para combater não só estas atividades terroristas típicas das reivindicações políticas***, mas também os oleodutos que enviam óleo cru a Israel a preços abaixo do mercado, conforme expressado no “Acordo de Camp David I”.
   Ainda neste ponto,as gangs beduínas e militantes islâmicos aproveitam a extensão da área para cavar túneis por onde passam armas, munições equipamento para construir mísseis que diariamente são lançados contra Israel, além dos produtos para necessidades diárias da bloqueada Gaza.
   Israel ficou numa situação sem alternativa, senão solicitar ao Egito a manutenção da ordem. Entretanto, com o vácuo de poder gerado, conforme já foi dito, e a saída do exército por algumas semanas, os militantes, os terroristas e os contrabandistas aproveitaram o período para se instalar e criar uma força paralela de lei e ordem, seja ela terrorista, seja de gang.
   Num grande Acordo bem construído junto com Israel e os norte-americanos, o Exército egípcio alocou tanques leves e helicópteros com artilharia pesada para dar combate a esses indivíduos, senhores locais do poder.
   Restou agora a Israel pensar nas suas alternativas: pedir o restabelecimento de tropas, tal como descrito em “Camp David I” e arriscar o retorno da militância islâmica e das gangs beduínas, ou permanecer quieto, permitindo a remilitarização do lado egípcio do Sinai, possibilitando a relativa insegurança do Estado de Israel na sua fronteira, trazendo por isso a obrigação de pensar uma contrapartida militar para a superação das tropas que ali possam estar estacionadas e capacitá-lo a fazer frente às unidades egípcias na área.