Israel voltou a ocupar posições estratégicas na área autônoma palestina de Gaza e numa faixa dentro do território libanês de até seis quilômetros após a sua fronteira com este país. Existe uma lista infindável de fatores que o levaram a iniciar um ataque às posições inimigas de maneira tão incisiva. Fala-se muito de que o ataque tenha sido desproporcional ao motivo inicial, quando fora lançada uma operação de busca e resgate à um soldado capturado. Contudo, a fronteira norte de Israel vem sendo atacada por foguetes há muito tempo, pessoas-bombas (homens e mulheres, indistintamente) detonam bombas atadas ao seu corpo na esperança de que o martírio as santifique.
Obviamente, Israel não é nenhum santo, especialmente no que se refere à longa ocupação dos territórios, que tanto atrapalha a vida dos civis, não permitindo que a sua base econômica cresça para permitir o desenvolvimento sustentável da região.
Pode-se estender o artigo indefinidamente, que nunca chegaríamos à uma conclusão plausível que agradaria a qualquer um dos lados, entretanto, quero neste, me focar num ponto específico: a abdução do cabo Shalit.
Muitos vêem a re-ocupação desses pontos dentro fora dos limites israelenses como uma resposta ao Hamas e ao grupo Guerra Santa (Jihad) Islâmica palestina, pelos constantes ataques com foguetes Katyusha. Entretanto, as forças armadas israelenses (lá conhecidas por TzaHal, acrônimo de Tsva Hahagana LeYisrael) têm, por regra básica na sua doutrina, de nunca abandonar um camarada ferido ou morto no campo de batalha. Isso leva ainda dentro de Israel, a acaloradas discussões, sobre o paradeiro do piloto do caça-bombardeiro McDonnell Douglas F-4 Phantom II, abatido sobre a cidade de portuária fundada por fenícios de Sidom (localizada entre a fronteira com Israel e Beirute), pelas forças da milícia Amal em 1986. Há, hoje em dia, ofertas privadas de recompensas por informações sobre o paradeiro do piloto, na ordem de milhões de euros, estando ele vivo ou morto – fora aquelas publicamente divulgadas pelo governo isralense.
Com o seqüestro de seu cabo (Gilad Shalit), o exército pôs-se a uma intensa procura na área de Gaza. Informações não-confirmadas citam sua presença junto com outros dois militares israelenses, já em território iraniano. Entretanto, há quem diga que eles ainda estão (Gilad) na fronteira com o Egito e os outros dois, em território libanês.
Mas de onde vem tamanha ânsia por recuperar um soldado capturado ou até os restos mortais do mesmo (veja o leitor, que os dois últimos membros seqüestrados após o cabo Gilad, só foram feito prisioneiros por terem tentado resgatar o corpo de um outro soldado mortalmente ferido, mesmo sob o intenso fogo cruzado de tropas inimigas)?
Há dois pontos principais a serem considerados neste artigo: o ético, e o religioso ligados entre si quase que umbilicalmente por motivos na qual a cultura israelense, está basicamente ligada à religião judaica e esta à ética.
No caso do ponto ético, conforme citação do site das Forças de Defesa de Israel, no que se refere à lealdade, “(Camaradagem) - os recrutas e as mulheres do IDF agirão fora da fraternidade e da devoção a seus camaradas, e irão sempre a seu auxílio quando necessitam sua ajuda ou dependerem deles, apesar de todo o perigo ou dificuldade, inclusive indo ao ponto de arriscar suas vidas”. Isto justifica então, como militares, a assertiva acima citada, na qual o membro da Força jamais pode deixar no campo de batalha um irmão de farda (seja ele judeu ou não).
Já no âmbito religioso, no código de leis religiosas judaicas e muito bem abordado no artigo do rabino Chaim Steinmetz, “At what coast saving lifes?”, publicado na revista canadense de língua inglesa de lei religiosa judaica, Jewish Law, no cânone judaico, há uma obrigação bíblica de salvar vidas. O versículo "Não fique inerte perante o sangue do próximo" (Vayiakra 19:15) é entendido pelo Talmud como sendo uma obrigação de salvar pessoas em perigo (San'hedrin 73a). Entretanto, é necessário definir os parâmetros desta obrigação. O transeunte precisa arriscar-se para salvar a vítima? Deverá gastar dinheiro para salvar a vida da vítima? O Talmud (Bava Metsia 62a) discute o caso de duas pessoas que estão viajando pelo deserto e apenas uma tem água suficiente para sobreviver. Ben Petura (Pensador religioso judeu, que viveu na Judéia no período de cerca 130 AEC) é da opinião que é melhor dividir a água e ambos morrerem, do que um assistir à morte do outro. Rabi Akiva (ou Aquiva) é da opinião que "sua vida tem precedência", que o dono da água deve primeiro salvar a própria vida, mesmo se a outra pessoa morrer. A opinião de Rabi Akiva tornou-se o consenso haláchico. Embora esteja claro que a pessoa não deve sacrificar sua vida para salvar a vida de outro, há alguma discordância sobre se há uma obrigação de salvar vidas quando isso põe em perigo o circunstante. O Hagahot Maimoniyot (Referente a Moshe ben Maimon (em hebraico: רבי משה בן מיימון, em árabe: الإسرائيلي, Mussa bin Maimun ibn Abdallah al-Kurtubi al-Israili) também conhecido como Moses Maimônides e Rambam (הרמב"ם), foi um filósofo, religioso, codificador rabínico e médico, nascido em Córdoba na Espanha (Al-Andalus) em 30 de março de 1138 (ainda sob domínio muçulmano) e morto no Egito em 13 de dezembro de 1204.) - Rotseach 1:14 - é da opinião que é obrigatório para o transeunte colocar-se sob risco incerto a fim de salvar a vítima do perigo certo. Outros argumentam que é proibido fazê-lo, e que o princípio de que "sua vida vem primeiro" aplica-se também ao risco incerto (Radvaz em Pitchei Teshuvá Y.D. 157:15). Baseado nesta opinião, algumas autoridades proíbem um doador de doar um rim a um paciente que está morrendo se isso colocar o doador em algum risco (Tsits Eliezer 13:101; Minchat Yitschac 6:103).
Obviamente, Israel não é nenhum santo, especialmente no que se refere à longa ocupação dos territórios, que tanto atrapalha a vida dos civis, não permitindo que a sua base econômica cresça para permitir o desenvolvimento sustentável da região.
Pode-se estender o artigo indefinidamente, que nunca chegaríamos à uma conclusão plausível que agradaria a qualquer um dos lados, entretanto, quero neste, me focar num ponto específico: a abdução do cabo Shalit.
Muitos vêem a re-ocupação desses pontos dentro fora dos limites israelenses como uma resposta ao Hamas e ao grupo Guerra Santa (Jihad) Islâmica palestina, pelos constantes ataques com foguetes Katyusha. Entretanto, as forças armadas israelenses (lá conhecidas por TzaHal, acrônimo de Tsva Hahagana LeYisrael) têm, por regra básica na sua doutrina, de nunca abandonar um camarada ferido ou morto no campo de batalha. Isso leva ainda dentro de Israel, a acaloradas discussões, sobre o paradeiro do piloto do caça-bombardeiro McDonnell Douglas F-4 Phantom II, abatido sobre a cidade de portuária fundada por fenícios de Sidom (localizada entre a fronteira com Israel e Beirute), pelas forças da milícia Amal em 1986. Há, hoje em dia, ofertas privadas de recompensas por informações sobre o paradeiro do piloto, na ordem de milhões de euros, estando ele vivo ou morto – fora aquelas publicamente divulgadas pelo governo isralense.
Com o seqüestro de seu cabo (Gilad Shalit), o exército pôs-se a uma intensa procura na área de Gaza. Informações não-confirmadas citam sua presença junto com outros dois militares israelenses, já em território iraniano. Entretanto, há quem diga que eles ainda estão (Gilad) na fronteira com o Egito e os outros dois, em território libanês.
Mas de onde vem tamanha ânsia por recuperar um soldado capturado ou até os restos mortais do mesmo (veja o leitor, que os dois últimos membros seqüestrados após o cabo Gilad, só foram feito prisioneiros por terem tentado resgatar o corpo de um outro soldado mortalmente ferido, mesmo sob o intenso fogo cruzado de tropas inimigas)?
Há dois pontos principais a serem considerados neste artigo: o ético, e o religioso ligados entre si quase que umbilicalmente por motivos na qual a cultura israelense, está basicamente ligada à religião judaica e esta à ética.
No caso do ponto ético, conforme citação do site das Forças de Defesa de Israel, no que se refere à lealdade, “(Camaradagem) - os recrutas e as mulheres do IDF agirão fora da fraternidade e da devoção a seus camaradas, e irão sempre a seu auxílio quando necessitam sua ajuda ou dependerem deles, apesar de todo o perigo ou dificuldade, inclusive indo ao ponto de arriscar suas vidas”. Isto justifica então, como militares, a assertiva acima citada, na qual o membro da Força jamais pode deixar no campo de batalha um irmão de farda (seja ele judeu ou não).
Já no âmbito religioso, no código de leis religiosas judaicas e muito bem abordado no artigo do rabino Chaim Steinmetz, “At what coast saving lifes?”, publicado na revista canadense de língua inglesa de lei religiosa judaica, Jewish Law, no cânone judaico, há uma obrigação bíblica de salvar vidas. O versículo "Não fique inerte perante o sangue do próximo" (Vayiakra 19:15) é entendido pelo Talmud como sendo uma obrigação de salvar pessoas em perigo (San'hedrin 73a). Entretanto, é necessário definir os parâmetros desta obrigação. O transeunte precisa arriscar-se para salvar a vítima? Deverá gastar dinheiro para salvar a vida da vítima? O Talmud (Bava Metsia 62a) discute o caso de duas pessoas que estão viajando pelo deserto e apenas uma tem água suficiente para sobreviver. Ben Petura (Pensador religioso judeu, que viveu na Judéia no período de cerca 130 AEC) é da opinião que é melhor dividir a água e ambos morrerem, do que um assistir à morte do outro. Rabi Akiva (ou Aquiva) é da opinião que "sua vida tem precedência", que o dono da água deve primeiro salvar a própria vida, mesmo se a outra pessoa morrer. A opinião de Rabi Akiva tornou-se o consenso haláchico. Embora esteja claro que a pessoa não deve sacrificar sua vida para salvar a vida de outro, há alguma discordância sobre se há uma obrigação de salvar vidas quando isso põe em perigo o circunstante. O Hagahot Maimoniyot (Referente a Moshe ben Maimon (em hebraico: רבי משה בן מיימון, em árabe: الإسرائيلي, Mussa bin Maimun ibn Abdallah al-Kurtubi al-Israili) também conhecido como Moses Maimônides e Rambam (הרמב"ם), foi um filósofo, religioso, codificador rabínico e médico, nascido em Córdoba na Espanha (Al-Andalus) em 30 de março de 1138 (ainda sob domínio muçulmano) e morto no Egito em 13 de dezembro de 1204.) - Rotseach 1:14 - é da opinião que é obrigatório para o transeunte colocar-se sob risco incerto a fim de salvar a vítima do perigo certo. Outros argumentam que é proibido fazê-lo, e que o princípio de que "sua vida vem primeiro" aplica-se também ao risco incerto (Radvaz em Pitchei Teshuvá Y.D. 157:15). Baseado nesta opinião, algumas autoridades proíbem um doador de doar um rim a um paciente que está morrendo se isso colocar o doador em algum risco (Tsits Eliezer 13:101; Minchat Yitschac 6:103).


2 comentários:
Ricardo,
Se a Tsahal tem por regra nunca abandonar um companheiro em batalha, não é esta a questão, mas sim a reação que Israel utilizou, ocupando Gaza e agredindo a civis palestinos, colocando a vida deloes em risco e até vitimando alguns. Existem vários mecanismos que não a reação brutal da Tsahal para lidar com essas situações, inclusive colocar forças de segurança do Serviço Secreto(que são, aliás, parte do Exército), uma divisão de Operações Anti-Seqüestro (o mesmo caso), sem utilizar caças, tanques, etc. Não há justificativas para isso. Se é para salvar vidas, salvemos todas, tanto de israelenses como de palestinos.
Abs,
Fábio
Fabio, não discordo de ti, que há opções, mas todas são complicadas, pois esta guerra envolve não só forças regulares, mas guerrilha junto, oque tornam complicados os movimentos... Entretanto, ainda acho que a melhor opção é a política e financeira.
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