sábado, 12 de janeiro de 2013

Israel e os atores palestinos do conflito

Há anos Israel combate os palestinos, mas estes não agem como um grupo unificado, que se comportaria como um exército nacional ou uma milícia coesa de um país a exemplo que ocorre na Síria neste momento. O Estado israelense enfrenta vários grupos com visões políticas diferentes e contraditórias, diferindo na visão sobre como deve ser um Estado palestino. Deve-se ser religioso, existindo variações sobre ele e com desejos de um Emirado, ou se deve ser um Estado laico, oscilando entre uma perspectiva socialista e um Estado democrático de estilo ocidental. A seguir, será apresentado um resumo que procura identificar e apontar as ideias centrais de cada um dos principais grupos que neste momento travam batalhas com Israel.
Inicialmente, deve-se falar do “Movimento de Resistência Islâmica” ou “Hamas” (acrônimo árabe para “entusiasmo”), graças aos conflitos recentes que incendiaram a região. Na verdade, o Hamas não é um grupo guerrilheiro ou entidade semigovernamental. É um grupo islâmico sunita de redes de suporte à população palestina que atua basicamente na área de Gaza, onde obteve sua maior aceitação. Sob seu guarda-chuva está a maioria das obras assistenciais neste espaço, tais como campos de férias, asilos, orfanatos, outros tipos de entidades assistenciais e, principalmente, as madraças, as escolas religiosas onde a juventude é formada e influenciada por seus preceitos.
O movimento surgiu logo após a primeira Intifada, iniciada em 1989. Devido ao seu caráter anti-israelense, a “Organização para a Libertação da Palestina” (OLP) não queria aceitá-lo como um partido apto às eleições de 2007. Por pressões árabes, o Hamas não só participou como ganhou com ampla maioria o embate legislativo ao Parlamento. Entretanto o Fatah, de Yasser Arafat, não aceitou a derrota, o que levou a uma guerra civil, que foi observada com cuidado pelos israelenses. O Fatah, que é forte na Cisjordânia – a área mais rica da Palestina – manteve-se no poder nesta região, mas foi massacrado militarmente em Gaza em uma revolta deflagrada pelo Hamas e seu braço armado, na qual membros do Fatah foram degolados ou atirados do alto de prédios.
O apelo popular do Hamas tem diminuído vertiginosamente devido às condições de vida estarem contrastando com as da Cisjordânia, sem contar no seu constante envolvimento em ataques de guerrilha contra Israel, os quais recebe respostas sempre superiores tanto quantitativa como qualitativamente aos ataques sofridos, tornando a população vulnerável ao confronto, já que, geralmente, os ataques feitos pelo Hamas ocorrem por meio de lançamentos de foguetes originários dos centros urbanos locais.
O braço armado do Hamas chama-se “Brigadas Izz ad-Din al-Qassam”, cujo objetivo é a eliminação do Estado de Israel, embora seu líder, Khaled Mashal, tenha acenado com um reconhecimento deste, no caso da restauração das fronteiras de 1967. Apesar de as “Brigadas Izz ad-Din al-Qassam” constituírem o braço armado do Hamas, elas são um ente separado que não recebe ordens nem anuncia suas decisões com antecedência.
Outro grupo importante é o “Movimento da Jihad (Guerra Santa) Islâmica na Palestina”, organização sunita formada por membros da “Irmandade Muçulmana” e baseada na homônima egípcia. Ele segue o mesmo objetivo do Hamas, cujo interesse é destruir o Estado de Israel, e posiciona-se contra qualquer acordo com este. Tinha sede em Damasco até pouco tempo, quando iniciou a revolta na Síria, envolvendo-se inclusive em combates em apoio ao governo Assad. É um grupo sem a expressão que o Hamas possui. Apesar de compartilhar do seu objetivo, ele é independente e chegou a entrar em combate com este em vários momentos de tréguas, tanto unilaterais como bilaterais. Também possui sua rede de jardins de infância, campos de férias, hospitais, farmácias e ONGs que dão suporte aos desassistidos. No entanto, como tem certa independência, é considerado um grupo rebelde, sendo um transtorno ao Hamas, já que convive no mesmo campo e toma suas próprias decisões, incluindo disparos de foguetes contra Israel, mesmo quando o Hamas está em meio a negociações de paz com a denominada “entidade sionista”. Além disso, quando há negociações, geralmente aceita os acordos temporários de não agressão entre os seus ideólogos e o Governo israelense. As ações mais famosas do grupo foram o aprisionamento de Gilad Shalit(1), o qual foi libertado agora em 2011 (após anos de negociações) e a explosão de uma filial em Jerusalém da rede americana de pizzarias Sbarro. Estima-se que possua dez mil membros ativos em postos de combate.
O mais expressivo grupo é o “Movimento de Libertação Nacional Palestino”, acrônimo Fatah (algo como “vitória”, em árabe). É o maior partido político palestino, cujo ícone ainda é o falecido Yasser Arafat. É o partido no poder central, reconhecido pelos vizinhos e pela ONU. Entretanto, não foi quem venceu as últimas eleições o que levou à revolta desencadeada pelo partido Hamas, que ao fim deste processo tomou o poder no enclave de Gaza, em um banho de sangue.
O Fatah é um partido laico com ligações de esquerda – os chamados “movimentos populares de libertação” dos anos 60 do século XX. Embora laico, sofre alguma influência da “Irmandade Muçulmana” egípcia (a mesma que também influencia o Hamas), de maneira a manter no seu credo a prevalência da cultura islâmica, o caráter primordialmente nacionalista, e a perspectiva anti-ocidental, embora descarte a ideia religiosa que influencia o adversário político palestino.
O braço armado do Fatah, o Tanzim, é uma milícia criada pelo próprio Arafat para atuação laica e antirreligiosa, baseada nas estruturas e filosofias políticas do Ba’ath, o partido republicano pan-arábico que atua em vários países, tais como na Síria da família Hafez e no (antigo) Iraque da família Hussein.
Apesar dos “Acordos de Oslo(2), o Fatah não retirou de sua carta de princípios o desejo de acabar com o sionismo e erradicá-lo da Palestina, tanto cultural, como econômica e fisicamente, além de trabalhar para conter a emigração judaica para a área com o apoio dos países de origem destes imigrantes.
Após o estabelecimento da “Autoridade Nacional Palestina”, muitos de seus membros passaram a integrar as forças de segurança oficiais, embora se mantenham leais à sua origem. Atualmente, o Fatah é visto como um Partido cujos membros estão envolvidos em fraudes e corrupção. Há suspeitas envolvendo o nome de seu ícone, o falecido Arafat, pois este sempre viveu como líder político e, desde que fundou o Fatah, nunca exerceu alguma função de comércio ou engenharia (sua formação acadêmica). Sua família estava falida financeiramente e sua viúva Suha e filho Zahwa residem em um palácio na França.
Um quinto grupo constitui as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa”. Ele é o braço armado do Fatah depois que este renunciou à guerrilha, sendo sustentado por ele financeiramente e ideologicamente. Tem poucas atividades militares (ou terroristas), mas é importante devido a sua conexão e dependência do Fatah.
A “Organização para a Libertação da Palestina” (OLP), fundada em 1964 e baseada nos princípios de Gamal Abdel Nasser Hussein, foi o berço do órgão legislativo, o “Conselho Nacional Palestino”. Embora tenha aceitado em 1993 as “Resoluções 242 e 338 da ONU(3) relativas aos “Acordos de Madri de 1991(4), anulado os itens contrários ao assunto, tenha aceitado a existência de Israel e o fim das atividades terroristas, nenhuma das entidades que sejam membros tanto da OLP quanto do CNP, deixaram de eliminar estes itens de suas cartas de princípios. A OLP é reconhecida por Israel e mais de cem estados membros das Nações Unidas como a representante do povo palestino.
No atual momento, ela só tem um papel relevante por que é a autoridade reconhecida pelas “Nações Unidas”, da mesma forma que seus membros, pois, com o ascensão do Hamas em Gaza, por um processo que muitos consideram um “Golpe de Estado”, a sua representatividade ficou restrita à Cisjordânia.
Pode-se destacar também a “Frente Popular para a Libertação da Palestina” (FPLP) que foi o segundo grupo mais importante da OLP até os anos 80. Basicamente, é um grupo armado nacionalista como o Fatah, mas é marxista-leninista e confronta o Hamas em termos de membros. É contrária à solução de dois Estados e, ao invés, deseja a criação de um Estado laico no mesmo formato da Bósnia-Herzegovina. Seu grupo armado, as Brigadas Abu Ali Mustapha foi o primeiro a sequestrar aviões como meio de coerção.
Encerrando neste momento, podemos ainda falar da “Frente Popular para Libertação da Palestina – Comando Geral” (FPLP-CG), grupo que se separou da FPLP por considerá-lo muito político e pouco ativo militarmente. Ele é patrocinado pela Síria e é ligado umbilicalmente ao partido Baath sírio, pois seu secretário-geral, Ahmed Jibril, é um ex-soldado do Exército sírio. Distanciou-se de Arafat por sua acomodação ao elaborar o “Programa de Dez Pontos” que basicamente pregava a criação da pátria nacional palestina e a destruição de Israel. Consta que seus membros estão lutando na guerra civil da Síria em apoio ao seu exército governamental.
Estes são alguns dos grupos que transitam na área considerada palestina. Eles combatem e negociam tanto com Israel como entre si, constituindo forças que problematizam a política da região e tornam complexo processo de pacificação do conflito palestino-israelense, bem como a criação de um “Estado da Palestina”, já que há interesses individuais e autônomos dos grupos que se confrontam e impedem uma ação comum em busca da estabilidade regional.
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(1)Soldado israelense capturado em meados de 2006 e libertado em 2011 em troca de mais de mil prisioneiros palestinos – a maioria com ligações ao Hamas.
(2) Acordos que colocaram fim na intervenção israelense no sul do Líbano, que reconheceram alguns direitos palestinos e a existência de Israel, embora os mesmos líderes palestinos falem de uma pátria entre o (mar) Mediterrâneo e o (rio) Jordão, ou seja, sem o Estado de Israel. Também foram estabelecidos os malfadados “bantustões”*, ou áreas de influência, onde haveria maior ou menor independência das forças de segurança palestinas – patrulhas independentes, compartilhadas ou exclusivas do exército israelense.
* Termo para designar os territórios semiautônomos para segregação dos nativos africanos na época do apartheid.
(3)Resoluções que colocaram fim às guerras de 1967 e 1973 entre árabes e Israel.
(4)Conversações envolvendo o início do processo de paz, após a Guerra do Kwait (quando Arafat cometeu o erro político de apoiar Sadam) e o último encontro entre EUA e a antiga “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (URSS). Discutiu-se o início dos acordos de paz, envolvendo as duas potências da época, o Estado de Israel e os países árabes, sem, no entanto, contar com a presença oficial da OLP, que fora representada pela Jordânia.
Fonte consultada - Programa de Dez Pontos do Arafat: http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/BA7A9909F792340F8525704D006BDAF1

O exército volta ao poder no Egito

Desde a queda do Rei Farouk[1] (em 1952), passando pela ascensão dos “Oficiais Livres de Gamal Abdel Nasser” (em 1954) e a assunção ao governo dos seus sucessores, terminado na recente queda de Hosni Mubarak (em 2011), o Exército egípcio se manteve no poder.
Evitando tratar neste momento das razões da eclosão da revolta popular, é possível afirmar que ela foi organizada tanto por muçulmanos tradicionais, como por personagens com pensamento mais liberal, clamando por uma democracia participativa, bem como por mais emprego, por aumento de renda e melhoras nas condições de vida.
Com a saída de Mubarak, a “Irmandade Muçulmana” assumiu o poder no país, pois foi a vencedora das eleições legislativas e posteriormente ganhou a “Presidência da República”, com a vitória de Muhamad Morsi, alcançada por meio de eleições democráticas. Entretanto, após a vitória, a Irmandade vem tentando impor o estilo de vida islâmico fundamentalista em um país onde nos 60 anos anteriores prevaleceu o pan-arabismo laico, sob a influência das “Forças Armadas” que se mantiveram como uma espécie de poder moderador.
Com sua presença majoritária no legislativo e ocupando a “Presidência da República”, este grupo tecnicamente poderia impor-se de forma plena, mas o resultado foi outro: os mesmos jovens que se engajaram nas revoltas contra Mubarak ao lado da “Irmandade Muçulmana”, apesar de estarem em campos opostos sob o ponto de vista ideológico, sentiram-se traídos pela Irmandade nos fundamentos do movimento do qual participaram, que eram a liberdade e a democracia.
Morsi, que vem sendo apelidado de Faraó, foi contido na tentativa de obter “superpoderes”. A contenção, contudo, não se deu pelos jovens laicos que entraram em choque recentemente com membros da “Irmandade Muçulmana”, mas pelas “Forças Armadas” que, reticentes em relação ao novo estágio político em que se encontra o país (agora com viés democrático), agiram de forma a pressionar o poder e retomaram parte de seu espaço que havia sido perdido com a nova Constituição. Com isso, pretendem que se mude o Governo, mas não se mude o poder que elas detêm, o qual, conforme consideram alguns especialistas, mantém o equilíbrio político e social no país.
Observadores apontam que, neste momento, devemos aguardar os próximos acontecimentos, dentre eles a reação da Irmandade Muçulmana e as respostas das populações jovens de Alexandria e do Cairo para os movimentos que estão realizando as “Forças Armadas do Egito”.
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[1] Da dinastia de Muhamad Ali.
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Fontes consultadas:
Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Egypt
Ver: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/jun/26/egypt-revolution-secured-by-spreading
Ver: http://www.huffingtonpost.com/2011/01/30/egypt-revolution-2011_n_816026.html
Ver: http://www.washingtonpost.com/blogs/guest-voices/post/the-return-of-pharaoh-the-power-grab-by-egypts-mohamed-morsi/2012/11/26/8fa4c48a-37e8-11e2-b01f-5f55b193f58f_blog.html

sábado, 3 de novembro de 2012

Aspectos da fusão do Likud com “Israel Beitanu”


     Na segunda-feira, dia 29 de outubro, o jornal “Folha de São Paulo” publicou o artigo “Partido do premiê israelense aprova aliança com ultraconservadores”, cujo título pode não ser o mais adequado.
No caso, os ultraconservadores citados são os membros do partido “Israel Beitanu” – que traduzido do hebraico moderno significa “Israel Nossa Casa” – é um partido nacionalista, baseado em “imigrantes russos” como são conhecidos ou chamados de maneira generalizada por lá os imigrantes de toda ex-União Soviética.
     Especialistas identificam-nos como direitistas tais quais os partidos religiosos, em especial o Shas e “União da Torá Judaica” (UTJ), mas as coincidências acabam aqui. Assim como oLikud, tem entre alguns pontos programáticos o fato de serem seguidores doutrinariamente de (Ze'ev) Jabotinsky e do “Sionismo Revisionista”, defenderem a atribuição de mais força à polícia e às forças armadas, terem como moto uma Jerusalém unificada e a defesa da soberania israelense total sobre a cidade.
     Até a ruptura do Likud, pode-se afirmar que este tinha uma visão política mais de centro-direita, ou seja, menos direita do que hoje, tendo-se como parâmetro que o Kadima hoje é a representação centrista em Israel, abrangendo as forças centristas originárias do Likud e Avoda (Trabalhista). O Likud, é um partido de raízes antigas, pré-Estado de Israel, ou pré-fundação do Estado, como preferem outros, apesar de ter sido formado no final dos anos 70. Ele é a consolidação de um agrupamento de partidos médios e pequenos de direita e de centro-direita com grande ligação com a cúpula militar e os principais generais da época (Sharon, Samir e Begin). Ele possui 27 cadeiras no Parlamento.
     Israel Beitanu” é um partido jovem (2000), formado por imigrantes do leste europeu contrários à “liberalidade” oferecida nos acordos de paz com os árabes. São também partidários do moto “sem lealdade, sem cidadania”, ou seja, para os árabes que quiserem permanecer em Israel, devem jurar lealdade ao Estado judeu sionista ou abdicar da cidadania e com isso, sair o país.
     Apesar de sua base ser de “russos”, um dos principais ajudantes do líder Avigador Liberman, é um druso, cuja cultura é baseada na lealdade à terra onde residem (por isso, drusos israelenses eventualmente enfrentam drusos sírios, causando confusão ao resto do mundo). Sua visão de mercado é um pouco mais liberal que o Likud. São também a favor da flexibilização das conversões, para facilitar a vinda de mais descendentes de judeus do leste europeu, pois o Estado só beneficia os imigrantes judeus – sejam filhos de mãe judia, sejam os convertidos por rabinos ortodoxos. Eles possuem 15 cadeiras no Parlamento.
Mas, o que significa esta aliança? Há anos, os governos, sejam do Likud ou do Avoda, são reféns dos partidos religiosos para obter maioria no Congresso. Estes partidos menores demandam exageradamente muito mais do que representam para fazerem parte da base política de governo. Com a união anunciada, forças de mesmo viés político formarão uma aliança de 42 das 120 cadeiras do Knesset (congresso unicameral), ou seja 35% dos assentos, dando mais força política aos “russos”, diminuindo a dependência dos partidos religiosos e em especial, diminuindo drasticamente o fluxo de recursos ao sistema educacional religioso-ortodoxo, a base política destas agremiações.
     Com isso, mais força será dada às entidades seculares, ainda que o Estado se mantenha judeu e sionista. Isto fará com que muitos dos que se declaram estudantes de religião nas escolas (yeshiva) e ganham benefícios do Governo para permanecer nesta situação, sem trabalhar e sem qualificação, sejam obrigados a entrar no mercado de trabalho para sua sobrevivência, gerando um grande descontentamento. Diante do quadro, é pessível perguntar se essa será essa a ruptura da dependência do radicalismo religioso e o retorno das origens semi-laicas que imperaram até o final dos anos 70 em Israel.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A (re) militarização do Sinai

   Após os “Acordos de Camp David I” (1978) sobre a paz na “Península do Sinai”, Israel retrocedeu suas tropas até a fronteira atual, sendo o Sinai devolvido ao Egito. Contudo, a reentrada do Estado egípcio na Ásia deu-se com restrições de tropas e armas. Somente poucas unidades militares (basicamente com tarefas de polícia e controle de fronteira), porte de armas leves e uso de veículos com pouca blindagem poderiam adentrar na “Área C”, a mais restrita, que foi delineada no “Acordo de Paz de 1978”.
   Já Israel, manteve o direito de concentrar unidades na fronteira, incluindo Gaza, onde se encontra o principal ponto de passagem de quem se desloca de Israel (incluindo Cisjordânia) ou Gaza, que é Rafla. Ali, há uma grande rodoviária com entreposto aduaneiro, onde as pessoas trocam de ônibus no outro lado da fronteira, sejam turistas, palestinos ou beduínos com galinhas e carneiros para comerciar no outro lado.
   Com o aparecimento das atividades terroristas* decorrentes do vácuo de poder deixado pela transição de governo egípcio, está sendo necessário o incremento de efetivos militares** na região para combater não só estas atividades terroristas típicas das reivindicações políticas***, mas também os oleodutos que enviam óleo cru a Israel a preços abaixo do mercado, conforme expressado no “Acordo de Camp David I”.
   Ainda neste ponto,as gangs beduínas e militantes islâmicos aproveitam a extensão da área para cavar túneis por onde passam armas, munições equipamento para construir mísseis que diariamente são lançados contra Israel, além dos produtos para necessidades diárias da bloqueada Gaza.
   Israel ficou numa situação sem alternativa, senão solicitar ao Egito a manutenção da ordem. Entretanto, com o vácuo de poder gerado, conforme já foi dito, e a saída do exército por algumas semanas, os militantes, os terroristas e os contrabandistas aproveitaram o período para se instalar e criar uma força paralela de lei e ordem, seja ela terrorista, seja de gang.
   Num grande Acordo bem construído junto com Israel e os norte-americanos, o Exército egípcio alocou tanques leves e helicópteros com artilharia pesada para dar combate a esses indivíduos, senhores locais do poder.
   Restou agora a Israel pensar nas suas alternativas: pedir o restabelecimento de tropas, tal como descrito em “Camp David I” e arriscar o retorno da militância islâmica e das gangs beduínas, ou permanecer quieto, permitindo a remilitarização do lado egípcio do Sinai, possibilitando a relativa insegurança do Estado de Israel na sua fronteira, trazendo por isso a obrigação de pensar uma contrapartida militar para a superação das tropas que ali possam estar estacionadas e capacitá-lo a fazer frente às unidades egípcias na área.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

E se Israel atacar o Irã?


                Devido ao incremento nos estoques de material radioativo assim como o incremento da sua pureza, que envolve fins militares, o Irã tem se tornado um incomodo para os países do Oriente Médio e o principal parceiro, os Estados Unidos. Para alguns, a questão nem é SE, mas QUANDO o Irã será atacado. Mas por quem? Pelos Estados Unidos? Israel? Algum estado árabe sunita receoso com o poderio militar e a influência política do Irã?
                O problema não é só atacar, mas saber quais as consequências que tal ataque produziria de imediato, no curto e médio prazo não só para quem atacar, mas para seus parceiros, tanto a nível político como militar.
Na verdade, em termos de armamentos, nada se compara àquilo que os israelenses possuem. Apesar de terem os mesmos modelos de caças que os sauditas e egípcios possuem, as versões israelenses são no mínimo uma geração dos mesmos adiante em termos de modelos brutos americanos, sem contar nas melhorias instaladas pelos próprios israelenses, cujas indústrias aeronáuticas estão em termos de tecnologia são uma das mais desenvolvidas do mundo. Recentemente comentou-se na internet se fonte fidedigna que os israelenses forneceram informações que drones lá fabricados e operados por georgianos e azerbaijanos estavam coletando dos russos sobre movimentação de tropas e vigilância de fronteira em troca dos códigos chave para contramedidas eletrônicas para as baterias antiaéreas de origem russa operada por iranianos.
                A seguir farei um estudo do que, em minha opinião, seriam das menos prováveis aos mais prováveis para as mais prováveis nações a atacar o Irã.
     - Arábia Saudita e Emirados: apesar das diferenças no campo teológico, ambas as partes têm ambições geopolíticas, mas o Irã é a potencia militar da região e nem mesmo o reino saudita teria como se defender de uma resposta militar persa sem grandes prejuízos à suas instalações petrolíferas, a galinha dos ovos de ouro sem depender de um apoio norte-americano. Apoio este, que por sinal, traria mais conflitos com a população muçulmana que já se opôs firmemente à presença de tropas ‘infiéis’ deste na guerra do Kuwait, mesmo que eles estivessem defendendo a sobrevivência do status quo local, causando mais revoltas às monarquias locais atualmente extremamente envolvidas no combate aos radicais e suas revoltas contra os governos corruptos que as monarquias representam;
     - Estados Unidos (e eventualmente a OTAN): no presente momento, os países membros da organização em geral estão passando por uma grande crise econômica e seus estoques de armas foram afetados, estando próximo ao mínimo recomendado. Com isso, haveria gastos os quais seus membros não estão em condições de suportar financeiramente, sem contar os protestos dos desempregados demandando mais investimento local para gerar empregos em detrimento a outros tais como armas, subsídios a países do terceiro mundo entre outros. Não podemos esquecer o fator das perdas de soldados que as guerras tanto do Iraque como Afeganistão causaram na sociedade americana, relembrando o sofrimento de uma geração anterior no sudoeste asiático (Coréia e Vietnam), que pode ser um grande viés político para as eleições vindouras.
     - Israel: neste ponto, devemos dividir a possibilidade dois, ou seja, com ou sem o apoio dos Estados Unidos.
     - Sem o apoio americano, o cenário é de um ataque cirúrgico, com apoio de grupos de oposição locais (monarquistas, Mujahedin entre outros) ou até de curdos (que nos anos 70 eram apoiados pelo Mossad contra Sadam). Enviar tropas ou mesmo aviões de combate para bombardear as posições nucleares iranianas terá uma complexidade superior ao reator iraquiano Osíris, cujos aviões partiram de Eilat (o porto israelense do mar Vermelho) seguindo pelo deserto a fronteira Jordano Saudita em silêncio na ida e na volta (operação Ópera). Vejam bem: os caminhos, além de não através de nações amigas ou neutras em relação à existência de Israel – exceto a Turquia – são fronteiras muito menos perenes do que à época do ataque em Osíris. Recentemente descobriu-se que a defesa antiaérea Síria está melhore do que se pensava ao abater um F4 modernizado turco em baixíssima altitude – a mesma Síria que se encontra em convulsão, mas com as forças armadas ainda sob controle da família Assad. Por isso as opções seriam:
     - Usar a Jordânia significa irritar profundamente a em tese aliada monarquia hachmenita, para passar por um Iraque cuja defesa aérea na prática é operacionaliza pelos americanos, cujo nihil obstat é necessário, neste caso, para atingir o Irã e voltar.
     - Já, a Turquia, estremecida com o governo israelense desde o incidente do barco Mavi Marmara (2010), está com acordos de cooperação militar reduzido a praticamente zero. É o lado econômico em termos de abastecimento e reabastecimento, pois é somente um país a cruzar, apesar de passar em frente à costa do Líbano e da Síria, mas no caso também dependeria da diplomacia americana para em tese forçar as autoridades turcas a liberar o espaço aéreo para o ataque.
     - Atravessar novamente o deserto árabe (mais provável), seguindo as fronteiras da Jordânia e Síria com a saudita é passar um atestado de extrema fraqueza das defesas que os aliados americanos estão submetidos, gerando controvérsias e algum enfraquecimento na relação com estes (Arábia Saudita e Jordânia). No entanto, os sauditas estariam em tese se livrando de um vizinho nuclear, cuja chance de atacá-la nuclearmente é inversamente proporcional à de israelenses o fazer no atual cenário.
     - Mísseis balísticos  – considero a menos óbvia. Israel recentemente recebeu submarinos diesel-elétricos com baterias de longa duração, com assinatura térmica (visível por satélite) quase tão fraca quanto à de um de propulsão nuclear, entretanto devemos observar que:
     - De médio alcance, saindo de Israel, eles seriam afetados pelos mesmos problemas diplomáticos que os ataques aéreos, pois utilizariam o espaço aéreo de outros países, constituindo – em termos – de um ato de guerra.
     - Submarinos, teriam que ser lançados ou perto de Ormuz ou passando por este estreito, o que significa ou passar por Suez, ou pelo Mar Vermelho ou ainda o longínquo Cabo da Boa Esperança. Em ambos os casos seria chegar muito próximo à do Paquistão que vive em estado de guerra desde sua independência e que a presença de um submarino na região alertaria as várias nações ao redor, dificultando a ação e, passar por Ormuz. O estreito mais militarizado desta região do mundo teria também que contar com o aval norte-americano, pois são quem realmente controlam o estreito, apesar de sauditas e forças navais de emirados do golfo Pérsico atuam.
     - Se sem o apoio americano, com o apoio destes a situação não muda tão favoravelmente assim para o morador titular do Miskhan HaNassi, Shimon Peres (Szymon Perski). Israel pode sim, atacar através de mísseis, cruzando o deserto árabe, ou a partir de Ormuz ou ainda, com a Jordânia e/ou os príncipes da casa de Saud fechando seus olhos para os aviões israelenses, mas isso desgastaria ainda mais os governos locais no que tange a relação com o povo e outros países muçulmanos do que ajudaria. Certamente a população sairá às ruas exigindo o fechamento das bases americanas (infiéis) em território sagrado (muçulmano), e com isso, confronto com as tropas do governo, protestos, enfim, pancadaria generalizada. Entretanto, fechar as bases é a alternativa que estes governos sabem que não podem ter, pois precisam desta ajuda para se protegerem dos Ayatollahs, ou qualquer que seja o inimigo em qualquer direção. Aos americanos não cabe também nenhuma opção senão manter as bases como pilar de sustentação ao seu fornecimento de petróleo à sua economia e de sua projeção geopolítica.
                Enfim, atacar ou não atacar, eis a questão. Na realidade, não é uma questão sob o meu ponto de vista, mas quando. Como, eu já expus minha opinião. Na verdade, ainda temos um terceiro ator ou evento, que é a revolução síria, onde o futuro do governo influenciará grandemente o jogo político regional, com seus atores não governamentais Hamas e em especial o Hizballah, onde seu poderio bélico diminuiria junto com o poder político no Líbano. Permitir a mudança da Síria em relação aos Estados Unidos, adotando uma relação mais harmoniosa junto a esses a exemplo dos vizinhos sauditas e jordanianos, diminuiria em muito o poder regional iraniano, aumentando o escudo geográfico contra os mísseis iranianos apontados para Israel ou por outro lado, abrindo mais um caminho livre para o ataque deste às instalações nucleares persas.
                Portanto, atacar – por parte de Israel – é certo, o que não é certo é quando ou enquanto o governo anti-israelense se mantiver no poder.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Blog da sora Fabi: Este Blog está se iniciando com a ideia de partici...

Blog da sora Fabi: Este Blog está se iniciando com a ideia de partici...: Este Blog está se iniciando com a ideia de participação do alunos da Escola Estadual de Ensino Médio 9 de Outubro do município de Portão, on...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O Direito do Trabalho e a Herança do Judaísmo

O Direito do Trabalho é uma das criações mais originais dos hebreus, principalmente quando se sabe que na antiguidade oriental trabalhador era sinônimo de escravo. Em nenhuma legislação da antiguidade existiu a preocupação que se nota na Bíblia pela proteção do trabalhador e das condições de trabalho. A legislação hebraica foi a primeira legislação social do mundo. Estabelecia o repouso semanal, o pagamento do salário em dinheiro e ao fim de cada jornada de trabalho, a obrigação de todos terem uma ocupação, repouso nos feriados religiosos, o direito de penhora por salários devidos, a santificação do trabalho. O Talmud (V.), interpretando uma tradição oral que já vinha de séculos, obrigava o patrão a indenizar os acidentes do trabalho e cinco eram as indenizações: Nezek, pelo dano em virtude de lesão permanente; Ripui, dever de pagar assistência médica e medicamentos; Shevet, pagamento pelos danos causados pela incapacidade temporária para trabalhar; Boschet, pelo dano moral provocado pelo acidente; Tzaar, pelos sofrimentos e dores causados pelo acidente. A primeira lei brasileira de acidentes do trabalho é de 1919. Ainda neste ano o Tratado de Versalhes recomendava aos países contratantes a adoção do descanso semanal, a jornada de oito horas e a proibição do trabalho de menores. A primeira lei limitando o trabalho do menor a doze horas diárias foi de 1802 na Inglaterra. É de 1841 a primeira lei na França proibindo o trabalho dos menores de oito anos.